As ondas vem e vão


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Como em um mar turbulento
As ondas vem e vão
E levam com ela um montante de emoção

Talvez me afogue
Em lágrimas contidas
Talvez me salve
Como em um barco Salva-vida

O que importa
É que as ondas sempre vem e vão...

O aglomerado de água
Cega-me e me deixam na escuridão
Mas seus olhos
Iluminam-me como um clarão

Complicados sentimentos
Dentro do meu ser
Confusão de ondas malucas
Que não me deixam esquecer

Mas o que importa
É que as ondas sempre vem e vão...

Em algum momento
Sei que há de haver
Uma maré mansa
Que me traga o viver

Salgada como água
O que escorre em mim
Líquido sagrado
Que confunde tanto assim

Mas o que importa
É que as ondas sempre vem e vão...

Não sei deixar a maré levar
Tal lembrança, tal olhar
Não sei deixar a maré ficar
Tal desejo, tal tocar

Ó poderoso mar
Deixe-me entender, deixe-me levar
Deixe-me viver a doçura do gostar...

Perdi-me


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Perdi-me entre a razão e a emoção.
Perdi-me entre o saber e o não saber.
Perdi-me entre a verdade e a ilusão.
Perdi-me entre a certeza e o não concreto.
Perdi-me entre meus achismos infundados.
Perdi-me entre o estar e ser.
Perdi-me entre as estrelas do sonho.
Perdi-me entre pânicos e paz.
Perdi-me em um labirinto sem final.
Perdi-me entre a insegurança do ser.
Mas de todas as perdas, a maior foi você..
Que fez eu me perder entre o olhar incerto.
Perder-me na boca insaciável.
Perder-me no corpo quente.
Perder-me nos momentos de prazer.
Perder-me no riso nervoso.
Perder-me no toque carinhoso.
Perder-me no lingua macia.
Perder-me nas mãos tremulas.
Perder-me em seus prazeres.
Perder-me em suas mentiras.
Perder-me em seus erros.
Perder-me em minhas desculpas.
Perder-me em seu jeito esquivo.
Perder-me em seu discurso disconexo.
Perder-me no fato de querer me perder em você.
Agora, preciso eu deixar de perder para conseguir me achar...


Acho que um poema diz tudo e que não preciso dizer nada mais do que está aí até eu colocar a minha cabeça em ordem...

Blessed Be!

A sombra refletida


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Na meia luz da vela acesa no quarto vazio tomei coragem e me dirigi novamente para o espelho. Aquele espelho que tinha me assustado, me mostrado mais do que eu queria ver, mais do que eu deveria saber, mais do que eu mesma tinha noção que existia.

Peguei a vela negra em minhas mãos e chamei por ela novamente, pela sombra que tinha tanto me amedrontado, mas minha curiosidade era maior.

- Eu lhe chamo, sombra da escuridão profunda - Disse com a voz tremula.

Após alguns segundos, ouço uma resposta ecoando em meus ouvidos:

- Quer dizer então que teve coragem para me procurar novamente - Disse a voz aspera com a face dura.
- Sim, quero conhecer a escuridão do meu ser, acho que necessito.
- Espero que não seja somente por mera curiosidade, pois essa caminhada não será fácil, basta olhar para a imagem refletida.
- Eu sei que não - Admiti com medo.
- Então, prepara-se para começar se despindo e se olhando profundamente. Eu lhe darei esse direito, só nunca se esqueça. Todos nós temos o bem e o mal e não necessariamente o que você vai ver aqui, lhe mostrará quem você é e sim o que você você tem dentro de sua alma, suas sombras, seus medos e até mesmo alguns monstros que possui dentro de você e que deverá libertar.

Obedeci a voz que me amedrontava, mas que me deixava de uma certa forma tranquila do conhecimento que alí iria adquirir. Me despi completamente e voltei a me olhar no espelho.

- Agora olhe para dentro de você e comece a caminhar no seu interior, siga o caminho das trevas, procure sempre pela escuridão, fuja da luz. Encoraje-se e encontre algo que você não quer encontrar dentro de você.

Assim o fiz, entrei dentro dos meus anseios, das minhas loucuras, encontrei monstros que não queria encontrar, me vi perdida dentro de algo totalmente desconhecido, apavorante e por um momento pensei em voltar atrás, mas não tinha saída, eu não podia voltar, eu não conseguia sair dalí, eu não podia mais deixar aquele caminho para trás.

- Com medo, criança? - Disse a voz em um tom sarcástico.
- Muito - respondi sem pensar.
- Tens medo da sua própria sombra, e do que és capaz?
- Mais do que imagina.
- Essa então será uma aventura bem divertida, para mim é claro - Afirmou a imagem no espelho.
- Ahhh eu não duvido.
- Então, sente-se, olhe-se e eu logo voltarei, para caminharmos juntas.
- Só me responde uma coisa, no fim as coisas vão melhorar?
- O caminho do auto-conhecimento é cheio de desafios. Melhorar é claro que vão, mas no só depois de muito sofrimento.
- Muito gratificante essa sua afirmação.
- Foi sua escolha, não me culpe por isso. Aliás, esqueça essa sua mania de culpar as pessoas pelas suas escolhas e pelas suas atitudes.
- Tá, tá! - Disse nervosa.
- E não venha com sua agressividade para cima de mim, eu sei ser pior que você, afinal, sou sua sombra refletida. - Replicou a voz.
- Ok, então, quando será nosso próximo encontro?
- Quando aprender que a culpa é somente sua.......

E a voz sumiu, me deixando aquele enígma, me deixando aquela dúvida para que eu encontrasse a resposta dentro daquela escuridão profunda, dentro daquele emaranhado de sentimentos e questionamentos no qual eu me encontrava, dentro do meu próprio submundo. E aqui estou, buscando a resposta para um próximo capítulo.

Blessed Be!

Eu e o espelho


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Olhei no espelho em busca de respostas, em busca de perguntas, na busca incessante para conhecer meu próprio eu.

Uma frase veio a minha cabeça, e ela começava com "Espelho, espelho meu..." mas eu não queria saber se existia alguém mais bonita que eu e sim, onde ia chegar, quem era e onde as minhas atitudes e até mesmo meu passado me levaria.

Não tive qualquer resposta, olhei aquela face desesperada e não reconheci. Onde estava aquela face alegre e sorridente que refletia na brilhante janela do conhecimento? Eu não sabia, não sabia onde procurar e como chegar a encontrá-la novamente.

Uma sombra surgiu no espelho olhando dentro de minha alma e por alguns momentos senti medo, senti medo do que estava a descobrir, medo das verdades que me falaria, que ouviria alí.

- Quem é você? - perguntei com medo
- Seus mais profundos devaneios, sua sombra, seus segredos - respondeu a voz ecoando em meus ouvidos
- Há alguma chance de descobrir quem eu sou? - Repliquei em busca das respostas dentro de mim
- Claro que há, mas para isso pedirei algo de você, algo que talvez não queira enfrentar
- E o que seria?
- A imersão do subconsciente, a imersão a a escuridão profunda de seu próprio ser
- E isso vai me trazer as respostas que procuro?
- Você só poderá saber se se arriscar.
- Eu posso confiar em você?
- Eu não posso responder, mas acredito que se confia na sua escuridão, poderá sim confiar em mim, pois nada mais farei do que te mostrar as verdades da sua insanidade.
- Eu quero, pois não suporto mais essa dor - disse eu desesperada querendo todas as respostas naquele momento.
- Mas isso não será fácil, muito vai terá que percorrer, muito terá que deixar, muito terá que esquecer e principalmente terá que ter forças para voltar e não lá ficar. É bom conhecer a escuridão, mas não muito tempo ficar.
- Eu topo! Eu topo - Disse sorridente
- Então se prepare para a viagem mais sombria que já viveu, assim como para a busca das verdades e quem sabe até o retorno dos improváveis. - Disse a voz fria
- O que quis dizer com isso?
- Não posso te explicar, você verá, entenderá e só o tempo vai te mostrar. - Disse-me a imagem no espelho com um sorriso de canto de boca.
- Então, quando começaremos?
- Você saberá, basta me visitar......

E a imagem se apagou, revelando somente aquela face desesperada mas agora com um tanto de esperança em seu reflexo. Não sei como, nem porquê, muito menos onde, mas sei que uma nova jornada vai começar.

Blessed Be!